Trois femmes — relojoaria, joalheria e ótica fina da Maison Erlach Piquet
Saint-ImierGenèveParis
Erlach Piquet

Suisse  ·  France

I

Horlogerie

Saint-Imier

II

Haute Joaillerie

Genève

III

Optique fine

Paris

Préface · Livre de la Maison

O Espírito da Maison

Une maison ne se présente pas. Elle se déchiffre.

Há objetos que se compram. Há objetos que se herdam. Erlach Piquet pertence ao segundo mundo — aquele em que cada peça é menos um produto do que um juramento, menos um adorno do que uma pequena promessa de continuidade entre quem a usa hoje e quem a usará amanhã.

Nascemos do encontro de duas linhagens, de dois ofícios e de dois territórios. Da Suíça herdamos o rigor da forja e a paciência da medida exata; da França, o sentido da forma, a leitura da luz e o cuidado pela elegância silenciosa.

Não buscamos a moda. Buscamos a permanência. Não falamos alto. Confiamos que a qualidade fala por nós — como sempre falou.

— La Maison Erlach Piquet

Capítulo I · La Légende

A Lenda das Duas Casas

De como uma alabarda atravessou os Alpes e encontrou uma flor de lis.

A Europa, ainda medieval em seu coração, vivia o esplendor tardio das grandes cortes. A Borgonha de Filipe, o Bom, brilhava como nenhuma outra: tapeçarias de Arras, ourives de Bruges, jardins, banquetes, cetros e iluminuras. A leste, do outro lado do Jura, a jovem Confederação Suíça já se erguia firme — uma terra de homens parcos em palavras, de cantões orgulhosos, de ferreiros cujas alabardas eram temidas em toda a Cristandade desde a vitória de Laupen.

Linhagem suíça

A Casa Erlach

Berna · Cantão de Berna · Confederação Helvética

Pátio de pedra de uma casa patrícia bernense em luz de lanterna
Berne · Confederação Helvética

Os Erlach pertencem à antiga nobreza patrícia de Berna. Documentados já no século XIII, ocuparam por gerações cargos de Schultheiss — magistrados-mor da cidade — e comandaram tropas em momentos decisivos da história suíça.

O mais célebre deles, Rudolf von Erlach, conduziu, em 1339, o exército bernense à vitória contra a coalizão feudal na Batalha de Laupen — episódio fundador do prestígio militar da Confederação e ponto em que a alabarda suíça entrou definitivamente para a memória da Europa.

Em uma propriedade junto ao rio Aar, os Erlach mantinham uma oficina familiar dedicada à manufatura de armas de cerimônia. O traço distintivo de sua produção era uma têmpera própria, transmitida de pai para filho — o mesmo princípio de rigor invisível na medida certa que viria, séculos mais tarde, a definir a relojoaria da Maison.

« Treu und fest. »

Lema da Casa Erlach · Fiel e firme

Linhagem francesa

A Casa Piquet

Dijon · Ducado de Borgonha · Reino da França

Mesa de ourives borgonhês com lupa, gemas e velas
Dijon · Ducado de Borgonha

Os Piquet eram uma estirpe de mestres-ourives e lapidários, estabelecida em Dijon desde meados do século XIV. Diferentemente dos Erlach, sua nobreza não era de espada, mas de mãos: uma nobreza concedida pelo ofício, reconhecida pelos duques de Borgonha e protegida por sucessivas cartas-patentes desde o reinado de João, o Bom.

Maître Henri Piquet, pai de Élisabeth e contemporâneo de Filipe, o Bom, foi nomeado joalheiro-mor da corte ducal em 1414. Sob sua direção, a oficina Piquet montou as gemas dos colares cerimoniais da Ordem do Tosão de Ouro e supervisionou o engaste das pedras enviadas em dote à Casa de Inglaterra.

Dizia-se que um diamante engastado por um Piquet jamais se soltava, e que um rubi por suas mãos passado parecia ter ganhado uma segunda vida — uma reverência quase litúrgica pela pedra, herdada por Élisabeth e introduzida por ela na oficina de Saint-Imier.

« À la pierre, le respect ; à la main, la patience. »

Máxima da Casa Piquet

Capítulo II · La Rencontre

O Encontro de Konrad e Élisabeth

De Berna a Dijon · da corte ao Vale do Jura.

Vale do Jura suíço ao amanhecer com capela isolada
Vale de Saint-Imier · Jura suíço

Naquele inverno, uma comitiva diplomática deixou Berna rumo à corte ducal de Dijon. Levava-a o velho senhor von Erlach, descendente direto de Rudolf — o cavaleiro que conduzira os bernenses contra a cavalaria savoiarda em 1339 — em missão de pacificar tensões fronteiriças entre a Confederação e o Ducado. À sua direita cavalgava um jovem de vinte e dois anos, de cabelos cor de cinza e olhar quieto: seu sobrinho, Sir Konrad von Erlach, herdeiro da forja familiar e portador, como mandava o costume, da alabarda cerimonial dos Erlach — uma peça batida em aço pelos próprios ferreiros da casa, com cabo de freixo e gravura em prata na lâmina.

« Ele falava pouco.
Ela ouvia muito. Bastou um inverno. »

Em Dijon, durante uma recepção no Hôtel des Ducs, Konrad foi apresentado a uma jovem dama de poucas palavras e mãos extraordinariamente firmes: Dame Élisabeth Piquet, filha mais velha de Maître Henri Piquet, joalheiro-mor do Duque, encarregado da guarda das pedras da coroa borgonhesa. Educada entre buris, lupas e gemas, Élisabeth conhecia cada inclusão de um rubi como Konrad conhecia cada têmpera de uma lâmina.

A união, contudo, era impossível. Berna e Dijon mantinham um equilíbrio frágil; e os Piquet eram comprometidos por aliança a uma das casas de Champagne. Konrad e Élisabeth deixaram a corte sob o pretexto de uma peregrinação a Vézelay e nunca mais retornaram a ela. Refugiaram-se nas dobras do Jura, em uma pequena vila chamada Saint-Imier, hoje conhecida pelos relojoeiros de toda a Europa.

Lá, com o ouro que Élisabeth trouxera no bordado de seu manto e o aço que Konrad herdara da forja paterna, abriram a primeira oficina conjunta das duas famílias. A casa que ali nascia não tinha nome. Os primeiros estojos de couro saíam apenas com uma marca a ferro: a silhueta cruzada de uma alabarda e de uma flor de lis estilizada — sinal de que aquela peça havia passado pelas mãos de um Erlach e de uma Piquet.

« Erlach forge, Piquet sertit. »

Inscrição lavrada na bigorna original da oficina de Saint-Imier · arquivo da Maison

Capítulo III · Le Symbole

O símbolo.

A alabarda suíça.

Símbolo da Maison Erlach Piquet

A alabarda — Hellebarde, em alemão; hallebarde, em francês — é a arma que, mais que qualquer outra, define a identidade militar da Suíça medieval. Concebida no final do século XIII nos cantões alpinos, reúne em uma única peça três funções: o machado, capaz de quebrar a armadura; a lança, capaz de manter a cavalaria à distância; e o gancho, capaz de desmontar o cavaleiro. Três armas em uma só haste — três ofícios em uma única forma.

Foi a alabarda que selou a vitória de Laupen em 1339, sob o comando de Rudolf von Erlach. Desde 1506, é a arma cerimonial da Guarda Suíça do Vaticano — o corpo militar mais antigo do mundo ainda em atividade, encarregado, há mais de cinco séculos, da proteção do Sumo Pontífice.

Para a Maison Erlach Piquet, a alabarda traduz três virtudes:

I.

Precisão

Três lâminas, três ângulos, três pesos calibrados em torno de um único eixo. É a tradução, em metal, da relojoaria suíça que viria séculos depois.

II.

Proteção

A alabarda guarda — o pontífice, a fronteira, o juramento. Cada peça nossa é, à sua maneira, um pequeno objeto de proteção: marca o tempo, marca a memória, atravessa gerações intacta.

III.

Nobreza

A alabarda não foi forjada para o assalto: foi forjada para a guarda. É arma de honra, não de conquista — emblema justo de uma Maison que entende o luxo como herança, não como ostentação.

« Tribus officiis, una forma. »

Três ofícios, uma só forma

La Mission de la Maison

Confiar, jamais vender.

A Maison Erlach Piquet não concebe seus objetos como mercadoria, mas como objetos de guarda. Cada peça é entregue a uma vida — e, sobretudo, às vidas que virão. Nossa missão não é cobrir os corpos de luxo: é sustentar uma promessa silenciosa de permanência entre quem hoje porta e quem amanhã herdará.

Capítulo IV · La Typographie

A Tipografia

Três vozes em diálogo: a serifa do livro antigo, a serifa do corpo, o silêncio moderno do sans.

Display · Cormorant Garamond

Aa

« Forgée dans l'acier. »

200 / 300 / 400 italic

Corpo serif · EB Garamond

Aa

Reservada a citações longas e textos cerimoniais.

Numerais antigos · oldstyle

Sans · Inter Tight Light

Aa

Voz contemporânea da Maison. Discreta, precisa, silenciosa.

200 / 300 / 400

Capítulo V · La Palette

A Paleta

Quatro cores. Uma só constância.

PANTONE 12-0817 TPX

Champagne Piquet

A cor da Maison. Luz dourada de fim de tarde sobre seda crua. Pergaminho repousado, marfim filtrado pela manhã alpina.

HEX #F7E7CE

PANTONE 11-0907 TPX

Blanc Erlach

A cor do silêncio. Linho fino, papel de algodão, leite tépido. Ritma o champagne e dá ar ao texto editorial.

HEX #FBF6EE

PANTONE 16-0836 TPX

Or Pâle

Acento sagrado da Maison. Reservado a hairlines, monogramas e elementos cerimoniais. O único traço de cor permitido.

HEX #B8924A

PANTONE BLACK 7 C

Encre de Cérémonie

A cor do rigor. Tinta editorial profunda, reservada à tipografia, à assinatura e aos detalhes de finalização.

HEX #2A2014

A paleta da Maison é deliberadamente curta. É a sua constância — e não a sua variedade — que assegura o reconhecimento à distância.

Capítulo VI · Les Six Valeurs

Os seis valores da Maison.

Princípios fundadores — herdados das duas casas, transmitidos sem concessão a cada peça que deixa o ateliê.

06

Valeurs
I · VI

Permanência

« Pour ce qui dure. »

Trabalhamos para o que dura. Nenhuma de nossas peças é concebida para uma estação: cada uma é pensada para atravessar gerações.

II · VI

Discrição

« Reconnue, jamais annoncée. »

Nossa elegância não se anuncia. Nem todo brilho precisa ser visto à distância — alguns precisam apenas ser reconhecidos por quem sabe ver.

III · VI

Rigor

« Pesé, mesuré, ajusté. »

Cada componente é pesado, medido e ajustado conforme o método herdado das forjas de Berna. Não há atalho que sobreviva à inspeção final.

IV · VI

Refinamento

« La précision émue. »

À precisão suíça somamos a sensibilidade francesa pela forma. Não basta que uma peça funcione; é preciso que comova quem a porta.

V · VI

Honra

« L'alabarde garde. »

A alabarda guarda; ela não conquista. A Maison serve a seus clientes como o cavaleiro servia ao seu juramento — com fidelidade discreta e firme.

VI · VI

Herança

« À celui qui héritera. »

Cada peça Erlach Piquet é um objeto que ainda não pertence inteiramente a quem a compra: pertence também a quem, um dia, a herdará.

« Six règles. Une seule signature. »

Capítulo VII · Les Trois Métiers

Os Três Ofícios

Horlogerie · Haute Joaillerie · Optique fine.

Horlogerie
L'Atelier de Saint-Imier · Jura suíço
Métier · I

Horlogerie

L'Atelier de Saint-Imier · Jura suíço

Herdeira direta da forja Erlach, a oficina de Saint-Imier produz, ainda hoje, todos os calibres da Maison. As coleções privilegiam a complicação útil — calendário perpétuo, repetição de minutos, reserva de marcha — em detrimento do espetáculo mecânico.

Toda peça leva, gravada na contracapa, a alabarda da Maison.

Haute Joaillerie
L'Atelier de Genève · sob direção da Casa Piquet
Métier · II

Haute Joaillerie

L'Atelier de Genève · sob direção da Casa Piquet

Sob princípios estabelecidos por Élisabeth Piquet, o ateliê genebrino mantém o método litúrgico do engaste: cada pedra é estudada por semanas antes de receber sua moldura. A Maison não busca a pedra maior, mas a pedra mais bem servida.

Três titulações exclusivas: amarelo de Borgonha, branco do Aar e rosa de Genebra.

Optique fine
L'Atelier de Paris · ramo mais jovem da Maison
Métier · III

Optique fine

L'Atelier de Paris · ramo mais jovem da Maison

A divisão ótica aplica à armação aquilo que a Maison sempre aplicou ao relógio e à joia: a leitura do rosto como engaste. Cada armação é forjada em titânio puro nas oficinas do Jura e finalizada à mão em Paris, com dobradiças de mecanismo de relojoaria.

Apertos a cada cinco anos, oferecidos em garantia perpétua.

« Deux maisons, une seule marque. »

Devise de la Maison Erlach Piquet

L’Héritage

Brasão da Maison Erlach Piquet

« Erlach Piquet não vende objetos.
Confia objetos. »

Confia-os a quem sabe que algumas peças não são feitas para uma vida — são feitas para várias.

E · R L A C H  ·  P I Q U E T

Saint-Imier · Genève · Paris