Horlogerie
Saint-Imier

Suisse · France
Saint-Imier
Genève
Paris
Préface · Livre de la Maison
Une maison ne se présente pas. Elle se déchiffre.
Há objetos que se compram. Há objetos que se herdam. Erlach Piquet pertence ao segundo mundo — aquele em que cada peça é menos um produto do que um juramento, menos um adorno do que uma pequena promessa de continuidade entre quem a usa hoje e quem a usará amanhã.
Nascemos do encontro de duas linhagens, de dois ofícios e de dois territórios. Da Suíça herdamos o rigor da forja e a paciência da medida exata; da França, o sentido da forma, a leitura da luz e o cuidado pela elegância silenciosa.
Não buscamos a moda. Buscamos a permanência. Não falamos alto. Confiamos que a qualidade fala por nós — como sempre falou.
— La Maison Erlach Piquet
Capítulo I · La Légende
De como uma alabarda atravessou os Alpes e encontrou uma flor de lis.
A Europa, ainda medieval em seu coração, vivia o esplendor tardio das grandes cortes. A Borgonha de Filipe, o Bom, brilhava como nenhuma outra: tapeçarias de Arras, ourives de Bruges, jardins, banquetes, cetros e iluminuras. A leste, do outro lado do Jura, a jovem Confederação Suíça já se erguia firme — uma terra de homens parcos em palavras, de cantões orgulhosos, de ferreiros cujas alabardas eram temidas em toda a Cristandade desde a vitória de Laupen.
Linhagem suíça
Berna · Cantão de Berna · Confederação Helvética

Os Erlach pertencem à antiga nobreza patrícia de Berna. Documentados já no século XIII, ocuparam por gerações cargos de Schultheiss — magistrados-mor da cidade — e comandaram tropas em momentos decisivos da história suíça.
O mais célebre deles, Rudolf von Erlach, conduziu, em 1339, o exército bernense à vitória contra a coalizão feudal na Batalha de Laupen — episódio fundador do prestígio militar da Confederação e ponto em que a alabarda suíça entrou definitivamente para a memória da Europa.
Em uma propriedade junto ao rio Aar, os Erlach mantinham uma oficina familiar dedicada à manufatura de armas de cerimônia. O traço distintivo de sua produção era uma têmpera própria, transmitida de pai para filho — o mesmo princípio de rigor invisível na medida certa que viria, séculos mais tarde, a definir a relojoaria da Maison.
« Treu und fest. »
Lema da Casa Erlach · Fiel e firme
Linhagem francesa
Dijon · Ducado de Borgonha · Reino da França

Os Piquet eram uma estirpe de mestres-ourives e lapidários, estabelecida em Dijon desde meados do século XIV. Diferentemente dos Erlach, sua nobreza não era de espada, mas de mãos: uma nobreza concedida pelo ofício, reconhecida pelos duques de Borgonha e protegida por sucessivas cartas-patentes desde o reinado de João, o Bom.
Maître Henri Piquet, pai de Élisabeth e contemporâneo de Filipe, o Bom, foi nomeado joalheiro-mor da corte ducal em 1414. Sob sua direção, a oficina Piquet montou as gemas dos colares cerimoniais da Ordem do Tosão de Ouro e supervisionou o engaste das pedras enviadas em dote à Casa de Inglaterra.
Dizia-se que um diamante engastado por um Piquet jamais se soltava, e que um rubi por suas mãos passado parecia ter ganhado uma segunda vida — uma reverência quase litúrgica pela pedra, herdada por Élisabeth e introduzida por ela na oficina de Saint-Imier.
« À la pierre, le respect ; à la main, la patience. »
Máxima da Casa Piquet
Capítulo II · La Rencontre
De Berna a Dijon · da corte ao Vale do Jura.

Naquele inverno, uma comitiva diplomática deixou Berna rumo à corte ducal de Dijon. Levava-a o velho senhor von Erlach, descendente direto de Rudolf — o cavaleiro que conduzira os bernenses contra a cavalaria savoiarda em 1339 — em missão de pacificar tensões fronteiriças entre a Confederação e o Ducado. À sua direita cavalgava um jovem de vinte e dois anos, de cabelos cor de cinza e olhar quieto: seu sobrinho, Sir Konrad von Erlach, herdeiro da forja familiar e portador, como mandava o costume, da alabarda cerimonial dos Erlach — uma peça batida em aço pelos próprios ferreiros da casa, com cabo de freixo e gravura em prata na lâmina.
« Ele falava pouco.
Ela ouvia muito. Bastou um inverno. »
Em Dijon, durante uma recepção no Hôtel des Ducs, Konrad foi apresentado a uma jovem dama de poucas palavras e mãos extraordinariamente firmes: Dame Élisabeth Piquet, filha mais velha de Maître Henri Piquet, joalheiro-mor do Duque, encarregado da guarda das pedras da coroa borgonhesa. Educada entre buris, lupas e gemas, Élisabeth conhecia cada inclusão de um rubi como Konrad conhecia cada têmpera de uma lâmina.
A união, contudo, era impossível. Berna e Dijon mantinham um equilíbrio frágil; e os Piquet eram comprometidos por aliança a uma das casas de Champagne. Konrad e Élisabeth deixaram a corte sob o pretexto de uma peregrinação a Vézelay e nunca mais retornaram a ela. Refugiaram-se nas dobras do Jura, em uma pequena vila chamada Saint-Imier, hoje conhecida pelos relojoeiros de toda a Europa.
Lá, com o ouro que Élisabeth trouxera no bordado de seu manto e o aço que Konrad herdara da forja paterna, abriram a primeira oficina conjunta das duas famílias. A casa que ali nascia não tinha nome. Os primeiros estojos de couro saíam apenas com uma marca a ferro: a silhueta cruzada de uma alabarda e de uma flor de lis estilizada — sinal de que aquela peça havia passado pelas mãos de um Erlach e de uma Piquet.
« Erlach forge, Piquet sertit. »
Capítulo III · Le Symbole
A alabarda suíça.
A alabarda — Hellebarde, em alemão; hallebarde, em francês — é a arma que, mais que qualquer outra, define a identidade militar da Suíça medieval. Concebida no final do século XIII nos cantões alpinos, reúne em uma única peça três funções: o machado, capaz de quebrar a armadura; a lança, capaz de manter a cavalaria à distância; e o gancho, capaz de desmontar o cavaleiro. Três armas em uma só haste — três ofícios em uma única forma.
Foi a alabarda que selou a vitória de Laupen em 1339, sob o comando de Rudolf von Erlach. Desde 1506, é a arma cerimonial da Guarda Suíça do Vaticano — o corpo militar mais antigo do mundo ainda em atividade, encarregado, há mais de cinco séculos, da proteção do Sumo Pontífice.
Para a Maison Erlach Piquet, a alabarda traduz três virtudes:
I.
Três lâminas, três ângulos, três pesos calibrados em torno de um único eixo. É a tradução, em metal, da relojoaria suíça que viria séculos depois.
II.
A alabarda guarda — o pontífice, a fronteira, o juramento. Cada peça nossa é, à sua maneira, um pequeno objeto de proteção: marca o tempo, marca a memória, atravessa gerações intacta.
III.
A alabarda não foi forjada para o assalto: foi forjada para a guarda. É arma de honra, não de conquista — emblema justo de uma Maison que entende o luxo como herança, não como ostentação.
« Tribus officiis, una forma. »
Três ofícios, uma só forma
La Mission de la Maison
A Maison Erlach Piquet não concebe seus objetos como mercadoria, mas como objetos de guarda. Cada peça é entregue a uma vida — e, sobretudo, às vidas que virão. Nossa missão não é cobrir os corpos de luxo: é sustentar uma promessa silenciosa de permanência entre quem hoje porta e quem amanhã herdará.
Capítulo IV · La Typographie
Três vozes em diálogo: a serifa do livro antigo, a serifa do corpo, o silêncio moderno do sans.
Display · Cormorant Garamond
Aa
« Forgée dans l'acier. »
200 / 300 / 400 italic
Corpo serif · EB Garamond
Aa
Reservada a citações longas e textos cerimoniais.
Numerais antigos · oldstyle
Sans · Inter Tight Light
Aa
Voz contemporânea da Maison. Discreta, precisa, silenciosa.
200 / 300 / 400
Capítulo V · La Palette
Quatro cores. Uma só constância.
PANTONE 12-0817 TPX
A cor da Maison. Luz dourada de fim de tarde sobre seda crua. Pergaminho repousado, marfim filtrado pela manhã alpina.
HEX #F7E7CE
PANTONE 11-0907 TPX
A cor do silêncio. Linho fino, papel de algodão, leite tépido. Ritma o champagne e dá ar ao texto editorial.
HEX #FBF6EE
PANTONE 16-0836 TPX
Acento sagrado da Maison. Reservado a hairlines, monogramas e elementos cerimoniais. O único traço de cor permitido.
HEX #B8924A
PANTONE BLACK 7 C
A cor do rigor. Tinta editorial profunda, reservada à tipografia, à assinatura e aos detalhes de finalização.
HEX #2A2014
A paleta da Maison é deliberadamente curta. É a sua constância — e não a sua variedade — que assegura o reconhecimento à distância.
Capítulo VI · Les Six Valeurs
Princípios fundadores — herdados das duas casas, transmitidos sem concessão a cada peça que deixa o ateliê.
06
« Pour ce qui dure. »
Trabalhamos para o que dura. Nenhuma de nossas peças é concebida para uma estação: cada uma é pensada para atravessar gerações.
« Reconnue, jamais annoncée. »
Nossa elegância não se anuncia. Nem todo brilho precisa ser visto à distância — alguns precisam apenas ser reconhecidos por quem sabe ver.
« Pesé, mesuré, ajusté. »
Cada componente é pesado, medido e ajustado conforme o método herdado das forjas de Berna. Não há atalho que sobreviva à inspeção final.
« La précision émue. »
À precisão suíça somamos a sensibilidade francesa pela forma. Não basta que uma peça funcione; é preciso que comova quem a porta.
« L'alabarde garde. »
A alabarda guarda; ela não conquista. A Maison serve a seus clientes como o cavaleiro servia ao seu juramento — com fidelidade discreta e firme.
« À celui qui héritera. »
Cada peça Erlach Piquet é um objeto que ainda não pertence inteiramente a quem a compra: pertence também a quem, um dia, a herdará.
« Six règles. Une seule signature. »
Capítulo VII · Les Trois Métiers
Horlogerie · Haute Joaillerie · Optique fine.

L'Atelier de Saint-Imier · Jura suíço
Herdeira direta da forja Erlach, a oficina de Saint-Imier produz, ainda hoje, todos os calibres da Maison. As coleções privilegiam a complicação útil — calendário perpétuo, repetição de minutos, reserva de marcha — em detrimento do espetáculo mecânico.
Toda peça leva, gravada na contracapa, a alabarda da Maison.

L'Atelier de Genève · sob direção da Casa Piquet
Sob princípios estabelecidos por Élisabeth Piquet, o ateliê genebrino mantém o método litúrgico do engaste: cada pedra é estudada por semanas antes de receber sua moldura. A Maison não busca a pedra maior, mas a pedra mais bem servida.
Três titulações exclusivas: amarelo de Borgonha, branco do Aar e rosa de Genebra.

L'Atelier de Paris · ramo mais jovem da Maison
A divisão ótica aplica à armação aquilo que a Maison sempre aplicou ao relógio e à joia: a leitura do rosto como engaste. Cada armação é forjada em titânio puro nas oficinas do Jura e finalizada à mão em Paris, com dobradiças de mecanismo de relojoaria.
Apertos a cada cinco anos, oferecidos em garantia perpétua.
« Deux maisons, une seule marque. »
L’Héritage
« Erlach Piquet não vende objetos.
Confia objetos. »
Confia-os a quem sabe que algumas peças não são feitas para uma vida — são feitas para várias.
E · R L A C H · P I Q U E T
Saint-Imier · Genève · Paris